Migrar para Bun sem método pode trocar gargalo de performance por incidente de compatibilidade. O que funciona é abordagem incremental: escolher serviços candidatos, validar dependências nativas, medir métricas comparáveis e só então fazer cutover controlado.
Seleção de serviço candidato
Eu começo por serviços com:
- baixa dependência de addon nativo;
- cobertura de testes boa;
- deploy isolado por container.
Evito iniciar por serviço monolítico crítico de faturamento/autenticação.
Pré-check de compatibilidade
- instalar Bun atualizado:
bun --version
- validar install:
bun install
- executar suíte de teste:
bun test
- validar scripts de build/start:
bun run build
bun run start
Armadilhas reais que já encontrei
Dependência com node-gyp
Sinal: falha em instalação ou crash no runtime.
Ação:
- tentar versão mais nova da dependência;
- buscar alternativa pure JS;
- manter serviço em Node se a lib for crítica e sem suporte estável.
Diferença sutil de runtime
Mesmo com JavaScript padrão, comportamento de libs pode variar entre V8 e JSC. Por isso não aceito “subiu sem erro” como critério. Exijo teste funcional de endpoint crítico e comparação de payload.
Benchmark comparável (sem autoengano)
Métrica mínima que comparo em ambiente igual:
- p95 de latência;
- throughput;
- memória residente;
- tempo de cold start;
- taxa de erro HTTP 5xx.
Ferramenta simples para carga:
autocannon -c 100 -d 30 http://127.0.0.1:3000/health
Rodar Node vs Bun no mesmo host/limite de CPU para comparação justa.
Exemplo de container com Bun
FROM oven/bun:latest
WORKDIR /app
COPY package.json bun.lockb ./
RUN bun install --frozen-lockfile
COPY . .
EXPOSE 3000
USER bun
CMD ["bun", "run", "src/server.ts"]
Estratégia de rollout que uso
- canary de tráfego parcial;
- monitoramento em tempo real de erro/latência;
- rollback automático por SLO;
- pós-análise com decisão de permanência.
Rollback objetivo
Mantenho imagem Node pronta para retorno imediato:
docker compose up -d app-node
Rollback não pode depender de recompilar durante incidente.
Critérios de aprovação para migração definitiva
Só promovo serviço para Bun quando, por janela mínima definida, mantém:
- p95 igual ou melhor que baseline Node;
- erro 5xx dentro do SLO;
- consumo de memória estável sob carga contínua;
- zero regressão funcional nos fluxos críticos.
Se qualquer item falhar, mantenho Node e abro plano de correção incremental.
Convivência híbrida (Node + Bun)
Na prática, manter runtimes coexistindo é aceitável em portfólio grande.\nServiço novo pode nascer em Bun enquanto legado sensível continua em Node,\nsem forçar migração total por moda tecnológica.
Conclusão
Bun traz ganho real em alguns cenários, mas a migração madura é orientada por métrica e compatibilidade, não hype. Quando tratada como mudança de engenharia (com benchmark e rollback), a transição fica segura e previsível.
Este post está licenciado sob CC BY-NC.
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