Ambiente: Windows 10 22H2 (build 19045.5131) Sintoma: banner Clink v1.7.6 aparece ao abrir o CMD sem instalação aparente. Risco operacional: shell com comportamento não documentado, gerando ruído em automações e suporte.
Quando um utilitário executa sem constar no PATH, não existe mágica: existe um gatilho de inicialização em algum ponto da stack. O objetivo aqui é documentar o fluxo forense que utilizei para isolar a causa e realizar a remoção definitiva.
1) Vetor padrão: AutoRun do Command Processor#
O primeiro suspeito em inicializações customizadas do CMD é a chave AutoRun:
reg query "HKCU\Software\Microsoft\Command Processor" /v AutoRun
reg query "HKLM\Software\Microsoft\Command Processor" /v AutoRun
No incidente analisado, as chaves não estavam configuradas. Conclusão: vetor padrão descartado.
2) Windows Terminal: o ponto cego mais comum#
Em ambientes com Windows Terminal instalado, a injeção frequentemente decorre da chamada direta no perfil do cmd.exe:
- Abrir Configurações do Windows Terminal (
Ctrl + ,). - Abrir o arquivo JSON de configuração.
- Inspecionar o perfil associado ao
cmd.exe.
Sinal de persistência ou configuração residual:
"commandline": "cmd.exe /s /k \"%ProgramFiles(x86)%\\Clink\\bin\\clink_x64.exe inject\""
Se essa linha estiver configurada, o Clink é injetado a cada nova aba do terminal, mesmo sem entradas no PATH ou no AutoRun do registro.
3) Verificação de AppInit_DLLs#
Para garantir que não há injeção global de DLLs no carregamento dos processos:
reg query "HKLM\SOFTWARE\Microsoft\Windows NT\CurrentVersion\Windows" /v AppInit_DLLs
reg query "HKLM\SOFTWARE\WOW6432Node\Microsoft\Windows NT\CurrentVersion\Windows" /v AppInit_DLLs
4) Remoção definitiva (Runbook)#
4.1 Desinstalação oficial do Clink (quando o binário ainda existir)#
Se o binário ainda estiver acessível, o método canônico e mais seguro é executar:
clink autorun show
clink autorun uninstall
4.2 Limpeza manual de chaves AutoRun (quando aplicável)#
Caso o desinstalador não esteja disponível:
reg delete "HKCU\Software\Microsoft\Command Processor" /v AutoRun /f
reg delete "HKLM\Software\Microsoft\Command Processor" /v AutoRun /f
reg delete "HKCU\Software\Policies\Microsoft\Windows\Command Processor" /v AutoRun /f
reg delete "HKLM\Software\Policies\Microsoft\Windows\Command Processor" /v AutoRun /f
4.3 Corrigir profile do Windows Terminal#
- Remover o argumento
injectda propriedadecommandline; - Restaurar o comando padrão:
"commandline": "cmd.exe".
4.4 Remover binários e arquivos de estado órfãos#
O Clink separa binários (%ProgramFiles(x86)%\Clink) de arquivos de estado e histórico (%LOCALAPPDATA%\clink):
dir /b "%ProgramFiles(x86)%\clink\bin"
del /f /q "%ProgramFiles(x86)%\clink\bin\clink*.chd"
rd /s /q "%ProgramFiles(x86)%\clink"
rd /s /q "%LOCALAPPDATA%\clink"
4.5 Auditoria final com Sysinternals Autoruns#
Para fechar o diagnóstico:
- Executar o
Autorunscomo Administrador; - Checar as abas Logon e AppInit DLLs;
- Filtrar por termos como
clinkouinjecte eliminar registros órfãos.
Lições de infraestrutura e governança#
- Se executa, existe gatilho: o PATH do sistema é apenas um entre múltiplos vetores de inicialização.
- Políticas corporativas sobrepõem chaves de usuário: configurações via GPO em
Policies\Command Processorprevalecem sobre alterações locais. - Padronização de shells corporativos: customizações locais não documentadas geram passivos operacionais e falhas silenciosas de automação.
- Ferramentas dedicadas reduzem o MTTR: utilitários como Autoruns e verificações diretas de registro encurtam drasticamente o tempo de resposta a incidentes.
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